
Cultivo e mantenho sempre perto dos olhos e das mãos uma coleção interminável no meu estúdio. Coisas com algum significado que prendem o meu olhar, ativam a minha memória, ecoam em mim de alguma forma mesmo que incerta.
Artefatos de povos indígenas brasileiros, ferramentas que já foram úteis, pedaços desimportantes de algo, fragmentos a que já não se pode dar mais nenhum nome, objetos que os amigos me dão imaginando que poderiam me interessar. Convivo com essa coleção sempre exposta em mesas no ateliê e, num jogo em que uma coisa puxa outra, crio conexões entre partes, misturo sentidos e faço novos objetos para o corpo, joias.
Desenho, escolho, junto, contraponho, organizo, desmancho. Combino restos, partes, vestígios, numa mesa alta no centro da oficina que eu chamo de mesa de pensar, e que fica ao lado da bancada de joalheria. Indo de uma mesa para a outra é onde se dá o embate entre o aleatório, característico do que coleciono para eventualmente ser matéria das minhas joias; e o rigor das ferramentas, das técnicas e materiais tradicionais da joalheria.
Da mesma forma que um material inesperado impõe aprendizagens e exige outras formas de fazer na bancada para que os projetos se realizem, a necessidade de uma solução técnica leva a procura por um não sei o quê nas muitas caixas onde tudo está organizado com critérios pouco óbvios, mas efetivos, nessas buscas que mais tateiam do que apontam com precisão aquilo que se quer encontrar.
O que está no estúdio não é um sistema, é o reflexo do meu estar no mundo, é um campo que crio e recrio o tempo todo, onde o trabalho gera mais trabalho e isso acaba por criar um corpo, um todo, e mesmo criando joias diferentes, acredito que haja uma identidade entre as peças. Posso dizer que um dos traços dessa identidade é o precioso ser encontrado sempre em outro lugar diferente da riqueza.

estudos
• Formada em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado - FAAP, turma de 1980
• Aulas de joalheria no ateliê de Salvador Francisco Neto desde 2013
• Seminários de arte contemporânea com o artista Carlos Fajardo desde 2005
• Workshops com Iris Eichenberg e Daniela Malev em 2019
exposições
2021
• I Bienal de Joalharia Contemporânea de Lisboa, Exposição Cold Sweat no Museu de São Roque, Lisboa, Portugal
• Mãos Dadas, exposição de anéis, São Paulo, Brasil
• Desesquecimentos, exposição individual, Galeria Alice Floriano, Porto Alegre, Brasil
2020
• Joias e Objetos de Proteção para o Século XXI, PIN - Associação Portuguesa de Joalheria Contemporânea e MUDE – Museu do Design e da Moda, Portugal | exposição virtual e catálogo no site do MUDE
2019
• Antes que Tudo Acabe, Galeria Alice Floriano, Porto Alegre, RS, Brasil
• Aquilo Que Abraça, curadoria Miriam Pappalardo e Renata Porto, Galeria Virgílio, São Paulo, SP, Brasil
2018
• Mulheres Que Leem São Perigosas, OFF – JOYA Barcelona, na Tuuulibreria com Marta Costa Reis e Alejandra Ferrer, Barcelona, Espanha | Artigo de Yuxi Sun na klimt02 sobre a exposição
• Aquilo Que Abraça: Joyeria Contemporánea Brasileña, curadoria Miriam Pappalardo e Renata Porto, Centro Cultural Brasil-Argentina, Buenos Aires, Argentina
• Nami Wakabayashi e Marcia Cirne, curadoria Marisa Otta, no Estudio Manus, São Paulo, Brasil
• Tanto Mar, Fluxos Transatlânticos do Design, MUDE, curadoria Bárbara Coutinho e Adélia Borges, Palácio da Calheta, Jardim Botânico Tropical, Lisboa
2017
• PINAPARIS, Bijoux Contemporains, curadoria Monika Brugger, na Maison de Portugal André Gouveia, Paris;
2015
• Joias expostas na Thomas Cohn Gallery na Schmuck, Munique, Alemanha
• Marcia Cirne na Galeria Thomas Cohn, São Paulo, Brasil | Entrevista na Art Jewelry Forum
2013
• Exposição de joias na loja de design Cavalo de Pau em Lisboa, Portugal
2000
• Homem, Natureza, Tecnologia, Brasilianisches Kulturinstitut em Berlim, Alemanha
associações
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